Pesquisadores de Stanford afirmam que o impacto da inteligência artificial pode ser 10 vezes maior que o da internet e alguns já estão dizendo que a revolução da IA vai impactar mais as nossas vidas do que a invenção da eletricidade.

Toda vez que uma revolução tecnológica aconteceu, o padrão foi o mesmo:

Caos de um lado e Oportunidade do outro.

Enquanto muitas pessoas perderam seus empregos, outras criaram riqueza como nunca antes visto.

E o que esquecemos é que o mundo é cíclico, não é?

Então eu começo essa primeira edição fazendo o que eu acredito que todo empreendedor deveria fazer: olhar pro passado pra conseguir prever o futuro.

Acredito que o mundo gera mais riqueza hoje do que já gerou em qualquer outro momento da história. Acredito que quem move o mundo são os empreendedores: na ciência, na política e, no nosso caso, na tecnologia.

Sou empreendedor, capitalista e liberal. Busco geração de riqueza para mim, para meus colaboradores e para nossos clientes.

Se isso te incomoda, essa news não é pra você.

Mas se você é o tipo de pessoa que quer entender o que está movendo o mundo por trás das cortinas, seja bem-vindo(a) à primeira edição da Quinta Era.

Karl Marx estava certo?

Vamos começar olhando pro passado e analisando o viés que está do outro lado da balança em que eu estou.

Para Marx, todo valor econômico é gerado pelo trabalho humano.

O lucro capitalista (a "mais-valia") existe porque o trabalhador produz mais valor do que recebe em salário. O capitalista se apropria dessa diferença.

O ponto crucial é:

Se a IA substituir o trabalho humano em larga escala, quem gera o valor?

Se máquinas fazem tudo, não há mais-valia a ser extraída de trabalhadores, não há salários sendo pagos, e portanto não há consumidores comprando. O sistema entra em colapso por sua própria lógica interna.

Isso é exatamente o que Marx previa: que o capitalismo carrega as sementes da própria destruição, o que ele chamava de contradições internas do capital.

Marx argumentava que o capitalismo tende a substituir trabalho vivo (humanos) por trabalho morto (máquinas/capital), o que ele chamava de aumento da composição orgânica do capital. Com o tempo, isso geraria uma queda tendencial da taxa de lucro, porque se o lucro vem da exploração do trabalho humano e você elimina o trabalho humano, o lucro colapsa.

A IA levada ao extremo realizaria essa profecia:

Automação e IA → sem trabalhadores → sem consumidores → sem mercado → fim do capitalismo como o conhecemos.

Agora, do nosso lado da balança, existe o argumento contrário, portanto vou citar a escola liberal Austríaca.

O capitalismo já sobreviveu à Revolução Industrial, à eletrificação, à informatização. Cada vez que uma tecnologia "iria acabar com tudo", o sistema se adaptou e gerou novos tipos de trabalho, novos mercados e mais riqueza.

A premissa é que a teoria do valor-trabalho de Marx está errada, valor não vem só de trabalho humano, vem de escassez, utilidade, inovação, coordenação de mercado e da resolução de problemas. Se isso é verdade, a IA não destrói o capitalismo, ela apenas reorganiza a economia como toda grande tecnologia fez.

O capitalismo se reinventa constantemente destruindo indústrias velhas e criando novas.

Nos próximos minutos de leitura, vamos passar por cada uma das revoluções e suas implicações nas empresas, sociedade e geração de riqueza.

Acredito que a revolução industrial da 5ª Era será a maior oportunidade de todas até agora, porque se não for… Karl Marx estaria certo.

1ª Era: A Máquina a Vapor (1760–1840)

Tudo começou na Inglaterra. A máquina a vapor substituiu a tração animal e transformou oficinas artesanais em fábricas.

Pela primeira vez na história, a renda média da população começou a crescer de forma sustentada. Navios a vapor encurtaram distâncias. Locomotivas conectaram cidades. A produção em escala virou realidade.

Enquanto a maioria reclamava das condições, alguns poucos resolveram problemas e construíram fortunas.

2ª Era: Eletricidade e Petróleo (1850–1945)

A eletricidade iluminou o mundo, literalmente. O petróleo moveu máquinas, carros, aviões. A linha de montagem de Henry Ford reduziu o preço de um carro de US$ 850 pra US$ 260. Pela primeira vez, pessoas comuns podiam ter um automóvel.

O telefone conectou pessoas. A refrigeração mudou como nós comemos. O avião mudou como as pessoas viajam.

Nessa época a Standard Oil controlava 90% do petróleo americano e John D. Rockefeller se tornou o primeiro bilionário da história. Sua fortuna, em valores de hoje, seria equivalente a US$ 330 bilhões. Isso representava entre 2% e 3% de todo o PIB dos Estados Unidos.

Andrew Carnegie vendeu sua empresa de aço em 1901 por US$ 480 milhões, o que na época era 2,1% do PIB americano. J.P. Morgan financiou a eletricidade, as ferrovias e o aço.

Em 1900, existiam 185 grupos industriais com US$ 3 bilhões em capital. Mesmo com o medo instaurado da 2ª Revolução Industrial, apenas quatro anos depois já existiam 318 grupos com US$ 7 bilhões em capital.

Novamente, a revolução mais que dobrou a riqueza mundial.

3ª Era: O Computador e a Internet (1950–2010)

A terceira revolução é a que a maioria de nós já viveu.

O computador pessoal, a internet, o celular. A informação deixou de ser exclusiva de quem tinha dinheiro ou acesso a bibliotecas. De repente, qualquer pessoa com uma conexão podia aprender qualquer coisa.

A globalização explodiu. Uma empresa no Brasil podia vender pros Estados Unidos. Um desenvolvedor na Índia podia trabalhar pra uma startup em San Francisco.

Bill Gates largou Harvard e criou a Microsoft. Steve Jobs construiu a Apple numa garagem. Jeff Bezos começou vendendo livros online e criou a Amazon. Larry Page e Sergey Brin organizaram a informação do mundo com o Google.

Pra ter uma noção: em 1987, a lista Forbes tinha 140 bilionários no mundo, com fortuna combinada de US$ 295 bilhões. Hoje, só o Elon Musk sozinho tem mais que isso: US$ 419 bilhões.

O padrão se repete, né?

4ª Era: Indústria 4.0 (2011–2024)

A quarta revolução conectou o mundo físico ao digital. Eu pessoalmente vi e participei disso.

Internet das Coisas, Big Data, computação em nuvem, blockchain, impressão 3D.

Trabalhei 4 anos como Engenheiro de IoT em uma empresa, escrevendo algorítmos de IoT (Internt of things) para indústrias e fábricas.

Basicamente, as fábricas ficaram inteligentes. Máquinas passaram a conversar entre si, a se autogerenciar, a prever problemas antes deles acontecerem.

Profissões inteiras se tornaram obsoletas (e o reflexo disso ainda não apareceu no mundo)

Elon Musk revolucionou carros elétricos com a Tesla e exploração espacial com a SpaceX. Fintechs transformaram o sistema financeiro. Plataformas digitais viraram a base da nova economia.

Mas a quarta era é só o aquecimento.

Quinta Era: Inteligência Artificial

E aqui é onde estamos agora. Aqui começa a parte que me deixa muito, muito, muito animado e um pouco assustado ao mesmo tempo.

O que está acontecendo com a IA não tem precedentes.

Não é exagero meu. É o que dizem os dados.

O impacto econômico estimado da inteligência artificial é de US$ 15,7 trilhões até 2030.

Pra ter uma ideia, isso é maior que o PIB da China.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, a IA vai criar 170 milhões de novos empregos e extinguir 92 milhões. Saldo positivo de 78 milhões.

Só que, e aqui é o ponto, 39% das habilidades que existem hoje vão ficar obsoletas nos próximos 5 anos.

Ou seja: não é que não vai ter emprego. É que vão existir empregos diferentes. E quem não se adaptar vai ficar de fora.

O Andrew McAfee, pesquisador sênior do MIT, disse que a geração de riqueza que estamos vendo com IA é "sem precedentes nos últimos 100 anos".

Cem anos. Isso nos leva de volta à era do Rockefeller.

E olha só os novos Rockefellers:

Alexandr Wang criou a Scale AI e se tornou o bilionário mais jovem da história aos 28 anos. Fortuna de US$ 3,6 bilhões.

Os fundadores da Mercor, Brendan Foody, Adarsh Hiremath e Surya Midha, viraram bilionários aos 22 anos.

Fei-Fei Li criou a World Labs com 20 funcionários. Em 4 meses, a empresa já valia US$ 1 bilhão.

A Mira Murati saiu da OpenAI, fundou a Thinking Machines Lab, e a empresa atingiu US$ 10 bilhões de avaliação antes mesmo de lançar um produto.

Posso citar aqui Meu próprio caso (obviamente muito mais modesto), mas fundei o ChatFunnel em 2023 para ser uma plataforma de Atendimento com IA para empresas, começando com 3 pessoas (2 programadores e eu).

Ano passado fiz o valuation do projeto para uma possível venda e o ChatFunnel foi estimado em R$26 Milhões de reais.

Hoje existem 498 empresas de IA avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Juntas, valem US$ 2,7 trilhões. A maioria foi fundada há menos de 3 anos.

O padrão é o mesmo. Sempre foi.

Caos e oportunidade. Ao mesmo tempo. Na mesma proporção.

O padrão que ninguém vê

Em todas as revoluções, a maioria entrou em pânico. E uma minoria decidiu agir.

E agora, pela primeira vez, a revolução não é apenas física. Não é sobre máquinas substituindo braços. É sobre inteligência artificial complementando, e em alguns casos substituindo, o pensamento.

Beleza, Mateus. Mas o que eu faço com isso?

A oportunidade está escancarada na nossa cara, e o melhor é que de todas as revoluções essa é a mais democrática de todas.

Você precisa de um computador, acesso à internet e vontade de construir riqueza.

Então aqui vai o que eu sugiro pra você, de forma prática:

1. Entenda que a janela está aberta agora. Em toda revolução, quem agiu nos primeiros anos criou vantagem desproporcional. Estamos nesse estágio nesse momento!

2. Pare de estudar IA e comece a usar IA. Não precisa entender como funciona por dentro. Você precisa resolver problemas com ela. Teste no seu atendimento, no seu marketing, na sua operação. Erra rápido, aprende rápido.

3. Acompanhe o ciclo, não o hype. O mundo é cíclico. Vai ter bolha? Provavelmente. Vai ter correção? Com certeza. Mas a tecnologia que fica depois da bolha é o que transforma indústrias inteiras. Foi assim com a internet, vai ser assim com IA.

4. Pense como empreendedor, não como consumidor. A maioria das pessoas vai usar IA pra consumir. Os empreendedores vão usar IA pra construir.

Se você quiser começar a aprender comigo, eu recentemente fiz uma Imersão focada na 100% em uso prático da IA, são cerca de 5h de conteúdo que você pode devorar em uma tarde e já sair aplicando. Aperte aqui para conferir

Por que essa newsletter existe?

Confesso pra você: eu fiquei pensando por semanas sobre como começar essa newsletter. Eu poderia ter começado com dicas de ferramentas, com um tutorial, com uma lista de prompts, mas não seria honesto.

Eu quis começar mostrando o que eu vejo, o mundo pelas nossas lentes, eu quis pessoalmente escrever essa primeira edição te apresentando o panorama completo.

Porque se não entendemos de onde viemos, também não entendemos para onde estamos indo.

Estamos no início da 5ª Era.

Toda semana Eu e meu time da AI Society vamos trazer pra cá o que estamos vendo, testando, errando e aprendendo sobre essa revolução. Com dados. Com opinião e com viés, porque eu acredito que são os empreendedores que resolvem os problemas do mundo.

E a consequência dessa busca, que pode até parecer egoísta, é gerar prosperidade pra nós, pros nossos clientes, pros nossos colaboradores e pra nossas famílias.

Não estou dizendo que somos donos da verdade. Podemos estar errados sobre muita coisa.

Mas de uma coisa eu tenho certeza: o mundo é cíclico.

E quem entende o ciclo tem uma vantagem incontestável.

Trabalhe hoje, colha sempre.

P.S. Responde esse email com uma palavra: se você pudesse ter vivido no início de qualquer uma das 5 eras, qual você escolheria? Irei ler todas as respostas.

P.P.S. Se essa edição fez sentido pra você, conto com você pra encaminhar a https://5era.com.br/ pra um amigo empreendedor. Estou buscando construir a maior comunidade de IA do Brasil, e cada pessoa conta.

Eu sigo acreditando que existem mais pessoas boas do que pessoas más no mundo.

Abraços! Mateus Dias

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