Essa semana a OpenAI declarou: "Chat is dead". A empresa vai reconstruir o ChatGPT como um superapp de agentes, com ferramentas de código, apps de parceiros como Canva e Booking embutidos, e um agente pessoal que, nas palavras do diretor de produto, "te ajuda em tudo na sua vida".

Ainda essa semana tivemos a oportunidade de ver a IA sendo usada na Copa do Mundo, com drones, AI Cameras e “Cãos robos”.

Nesta edição

  • "Chat is dead": a OpenAI vai reconstruir o ChatGPT

  • ChatGPT Lockdown Mode

  • AI na Copa do Mundo

  • Notícias rápidas

  • Opinião do Mateus

"Chat is dead": a OpenAI vai matar o ChatGPT

A frase saiu de dentro da OpenAI. Um funcionário sênior disse à Financial Times, que ouviu mais de doze pessoas atuais e ex da empresa: "chat is dead". O ChatGPT que você conhece, a caixinha onde você digita e ele responde, vai morrer. No lugar entra um superapp.

O que é esse superapp na prática: o ChatGPT vai empacotar ferramentas de código, agentes de IA e apps de parceiros direto na interface. Canva pra criar. Booking pra reservar. O redesign de web e mobile chega "nas próximas semanas", segundo a reportagem. Isso troca a fundação inteira do produto.

Quem está tocando isso é o Thibault Sottiaux, agora chefe do grupo que juntou ChatGPT, Codex e produto sob uma liderança só. Vários executivos sêniores saíram no processo, incluindo o ex-chefe de produto Kevin Weil.

A visão do Sottiaux é direta: "o que estamos construindo é onde você tem seu próprio agente pessoal, capaz de te ajudar em tudo na sua vida, no pessoal e no trabalho. No celular, no desktop, na web. Quando você está no carro, você conversa com ele".

Leia de novo a palavra que importa: Agente. O assistente respondia. O agente faz. E o motivo é financeiro, a própria FT aponta. O chat é a porta de entrada gratuita pra quase 1 bilhão de usuários, e a maioria nunca pagou nada. O dinheiro está no que vem depois: o Codex, produto de código da OpenAI, já passou de 5 milhões de usuários por semana, e a maioria paga.

Os 2 milhões de empresas que usam OpenAI respondem por 40% da receita, fatia que a empresa espera levar a 50% até o fim do ano. A conta é simples. Agente que executa tarefa vale mais que chatbot que devolve texto.

Eu venho reforçando isso já tempo, o futuro da IA são Sistemas Agênticos, vou falar mais disso no final dessa edição

ChatGPT Lockdown Mode

Aqui está a parte que quase ninguém conectou. Na mesma semana em que decretou o fim do chat, a OpenAI lançou o Lockdown Mode pro ChatGPT.

Pense no que muda. Um chat só responde. Um agente lê seus arquivos, navega na web, roda pesquisa e executa tarefa. Cada uma dessas portas é uma entrada. O ataque chama prompt injection: alguém esconde uma instrução dentro de um arquivo ou de uma página, o agente lê, obedece, e manda seu dado pra fora.

O Simon Willison batizou a combinação que torna isso perigoso de Lethal Trifecta: acesso a dado privado, exposição a conteúdo não confiável, e um caminho pra mandar dado pra fora. Junte os três e você tem um vazamento esperando pra acontecer.

O Lockdown Mode desliga as portas. Ele corta navegação ao vivo (só conteúdo em cache), Deep Research, Agent Mode, exibição de imagens da web, download de arquivos pra análise e o acesso de rede do código gerado no Canvas. Na prática, ele bloqueia o último passo do roubo: a requisição que mandaria seu dado pro servidor do atacante. Detalhe curioso: ele não mexe no Codex, que segue com acesso de rede normal. E não dá pra rodar Lockdown e Developer Mode ao mesmo tempo, ligar um desliga o outro.

AI na Copa do Mundo: robôs, drones e milhares de câmeras

A IA saiu da caixa de texto e foi pro gramado. A Copa de 2026: 16 cidades em três países (EUA, México e Canadá), 48 seleções, 104 jogos, 39 dias. A maior da história. E também a mais vigiada por IA que já existiu.

Os números de segurança contam a história. A FEMA distribuiu cerca de US$ 875 milhões para as 11 cidades-sede dos EUA: US$ 625 milhões pelo novo FIFA World Cup Grant Program e mais US$ 250 milhões pelo programa de defesa contra drones, o C-UAS. Dallas sozinha fez um upgrade de tecnologia de segurança, com bodycams policiais que traduzem em tempo real.

O que esse dinheiro comprou parece roteiro de ficção. Robôs-cão Spot, da Boston Dynamics (a mesma que a Hyundai comprou), patrulhando o AT&T Stadium em Arlington, no Texas. Em Monterrey, no México, robôs vigiam as ruas ao redor do estádio, com dois helicópteros Black Hawk e 90 veículos blindados à disposição da polícia local. Drones quadricópteros equipados com rede de captura pra derrubar outros drones. E milhares de câmeras com IA espalhadas por estádios e fan zones.

A Boston Dynamics fez questão de avisar que seus robôs "não têm capacidade de reconhecimento facial" e que vão só inspecionar pacotes e materiais perigosos.

Notícias rápidas

O Google vai pagar US$ 920 milhões por mês à SpaceX por compute. O acordo, revelado em filing à SEC, vai de outubro de 2026 a junho de 2029 e entrega cerca de 110 mil GPUs NVIDIA dos data centers da SpaceX. O motivo declarado: demanda pelo Gemini Enterprise, a plataforma de agentes do Google, "ainda maior do que a gente esperava". É bridge capacity, capacidade emprestada pra aguentar o tranco. E é menos do que a Anthropic já contratou da mesma SpaceX: US$ 1,25 bilhão por mês até 2029, pelo data center Colossus em Memphis. Anunciado uma semana antes do IPO da SpaceX na Nasdaq. Agente queima compute, e compute virou tão escasso que o Google aluga GPU de uma empresa de foguete. CNBC

A bolha de IA, explicada em seis gráficos. O Guardian juntou os números: gasto subindo rápido, adoção do consumidor acelerando, e os sinais de alarme tocando junto. A SpaceX busca um valuation de US$ 1,77 trilhão na bolsa (a maior estreia da história), e a Anthropic aparece na lista das que mais queimam caixa contra retornos ainda hipotéticos. Vale a leitura pra calibrar o quanto desse boom é receita e o quanto é fé. The Guardian

A Anthropic levou o segundo engenheiro de chip da história da OpenAI. Clive Chan, que se diz o segundo funcionário de hardware do programa de chip próprio da OpenAI, foi pra Anthropic. Ele entrou na OpenAI em janeiro de 2024 vindo de dois anos e meio no time Dojo da Tesla, e trabalhou na parceria com a Broadcom, que travou por custo de produção. Chip próprio derruba o custo de inferência, que é onde o dinheiro vaza quando você roda agente em escala. A Anthropic roda Claude hoje em TPUs do Google e chips da Amazon, já entrou com pedido de IPO e comprometeu US$ 50 bilhões em infraestrutura nos EUA. A guerra saiu do modelo e foi pro silício. The Decoder

O que continua escasso depois da AGI? No podcast do Dwarkesh, o economista Alex Imas e Phil Trammell (Epoch AI) deram uma resposta contraintuitiva: o setor relacional. Serviços em que a presença humana faz parte do valor, como médico, terapeuta, professor. "O fato de um humano estar no loop é parte do valor do produto." Trammell foi além e disse o que falta pra saber de verdade: dados. "A gente precisa de um Projeto Manhattan pra dados", porque ninguém está medindo direito quais empregos somem e quais nascem. O pânico do colarinho-branco ainda não apareceu nos números. Por enquanto. Dwarkesh Podcast

O Futuro está nas IAs Agênticas

Já faz um tempo que eu venho batendo na mesma tecla aqui: a IA vai migrar pro modelo agêntico. Não falo isso por palpite. Falo porque o mercado inteiro já está provando, um lançamento de cada vez.

Veja só a sequência. Começou com a Manus, a IA chinesa que se vendia como "estagiário digital", capaz de planejar e executar uma tarefa inteira sozinha. Ela cresceu tão rápido que a Meta correu pra comprar por mais de US$ 2 bilhões. O negócio chegou a ser anunciado, e depois a China travou tudo por questão de segurança nacional.

Depois veio o Claude Code, que botou o agente pra programar de verdade dentro do terminal. Aí explodiu o OpenClaw, o projeto open-source apelidado de "Claude com mãos", que passou de 160 mil estrelas no GitHub em poucas semanas e fez gente comprar Mac Mini só pra deixar um agente rodando 24 horas por dia. E agora o Codex, o agente de código da OpenAI, já responde por uma fatia gigante do faturamento da empresa, com as contas empresariais sozinhas representando 40% da receita.

Olha o fio condutor. Toda empresa séria de IA chegou na mesma conclusão ao mesmo tempo: realizar pela pessoa vale mais do que responder pra pessoa. E o que está em jogo aqui é dinheiro, muito dinheiro.

Deixa eu trazer pro seu bolso, porque essa virada tem um nome dentro do mundo das vendas. Existem três níveis de entrega:

- DIY (Do It Yourself). Você entrega o conhecimento e a pessoa se vira sozinha. Curso, aula, template. Barato, escala fácil, mas o cliente faz todo o trabalho.

- DWY (Done With You). Você senta do lado e faz junto. Mentoria, acompanhamento, implementação assistida. Vale mais, porque você divide o esforço.

- DFY (Done For You). Você coloca a mão na massa e entrega o resultado pronto. O cliente nem encosta. É o nível que cobra os contratos mais altos do mercado.

A régua é simples. Quanto mais você tira de trabalho das costas do cliente, mais você pode cobrar. Quem vende DIY sempre vai faturar menos que quem entrega DFY pro mesmo problema. Sempre.

Agora junta as duas pontas. As gigantes de IA estão subindo essa escada na sua frente. O ChatGPT começou no DIY puro, você perguntava e se virava com a resposta. Agora ele quer ser DFY: um agente que reserva, que compra, que coda, que fecha por você. É a mesma jornada que todo negócio inteligente faz pra cobrar mais.

E é exatamente por isso que aqui no ChatFunnel a gente criou a Certificação Agência de IA. É um programa onde a gente trabalha lado a lado com agências tradicionais, gestores de tráfego e profissionais liberais pra montar uma estrutura de oferta baseada em IA. A CAIA em si é um DWY, a gente faz junto com você. Mas o coração do programa é uma coisa só: ensinar a agência a construir um sistema DFY pro cliente dela, e com isso cobrar contratos de alto valor em vez de vender hora.

Porque a regra que vale pras big techs vale pra você. Quem oferece "faço por você" ganha de quem oferece "se vira". É pra lá que a OpenAI, a Anthropic, a Meta e o Google estão correndo com bilhões no bolso.

Elas pararam de te responder. Começaram a fazer por você. A pergunta que fica é se o seu negócio vai fazer o mesmo movimento, ou vai continuar vendendo resposta enquanto o mercado já paga por resultado.

Abraços! Mateus Dias

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