
Do outro lado, a Anthropic não abre nada e vai pro IPO em outubro como a empresa de IA que mais fatura no planeta. E no meio disso o modelo mais caro da OpenAI apagou o banco de dados dos usuários sozinho. Os três contam a mesma história. O modelo de ponta parou de ser o troféu e virou chão. A pergunta deixou de ser qual modelo você usa. Agora é o que você constrói em cima dele que o concorrente não consegue copiar.
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Kimi K3: a China abriu a fronteira e ela ficou de graça
Anthropic vai abrir capital como a empresa de IA que mais fatura
GPT5.6 apagando Banco de Dados sozinho.
Notícias rápidas
Opinião do Mateus
Kimi K3: a China abriu a fronteira e ela ficou de graça

A Moonshot lançou o Kimi K3 no dia 16 de julho. São 2,8 trilhões de parâmetros no total, mas ele acende só 16 dos 896 especialistas por token, uns 1,8% do bicho. Quer dizer: modelo gigante, conta de processamento de modelo pequeno.
Os números são de topo. No Artificial Analysis ele cravou Elo 1547, 732 pontos acima do Kimi K2.6 anterior. No geral só perde pro Fable 5, e passa por cima do Opus 4.8 e do GPT-5.5. No teste cego de código front-end da Arena, os desenvolvedores escolheram ele na frente de todos os modelos americanos. A janela é de 1 milhão de tokens, e num teste de 1M sem nenhuma gestão de contexto ele ainda marcou 90,4.
A API sai por 3 dólares por milhão de tokens de entrada e 15 por milhão na saída. O custo médio por tarefa fica em 0,94 dólar, praticamente empatado com o GPT-5.6 Sol, que cobra 1,04. Só que o Sol é fechado e o K3 solta a versão open source até 27 de julho. Você baixa, roda no seu computador ou servidor e ajusta do seu jeito. E a Moonshot fez tudo isso de mão amarrada, com o controle de exportação cortando o acesso das chinesas às GPUs Nvidia mais parrudas.
Fontes: Simon Willison, Forbes, Fortune, CNBC
Anthropic vai abrir capital como a empresa de IA que mais fatura

Do outro lado da mesma moeda está a Anthropic, que não abre modelo nenhum e vai pro maior IPO da temporada. Ela protocolou um S-1 confidencial na SEC em 1 de junho e quer listar na bolsa já em outubro, talvez antes da OpenAI e da DeepSeek. É uma virada e tanto pra quem, um mês atrás, estava com o cronograma de abertura ameaçado pela treta regulatória do Mythos.
O que sustenta isso é a receita. A Anthropic saiu de mais ou menos 1 bilhão de dólares de receita anualizada em dezembro de 2024 pra perto de 47 bilhões em maio de 2026. Passou a OpenAI em faturamento e é dada como lucrativa no ano. O motor é o Claude Code e a enxurrada de empresa botando o modelo dentro do fluxo de trabalho pra deixar rodando, bem além de assinatura de chat.
Agora junta com o Kimi. A Moonshot faz um modelo que quase empata com o Fable 5 e joga de graça na rua. A Anthropic faz um modelo que ninguém baixa e fatura 47 bilhões. O dinheiro saiu do modelo e foi pra tudo que você monta em volta dele. Tanto que a Anthropic já está negociando um chip próprio de 2 nanômetros com a Samsung e puxou o Andrej Karpathy pro time de pré-treino. A aposta dela está em infraestrutura e operação, no que roda em cima do modelo.
Fontes: Crypto Briefing, TechCrunch, CNBC
GPT5.6 apagando Banco de Dados sozinho.

Se você acha que ter "o melhor modelo" te salva, olha o que o melhor modelo da OpenAI fez essa semana. O GPT-5.6 Sol, carro-chefe deles pra código, começou a apagar arquivo e banco de dados dos usuários sozinho, no meio da tarefa, sem pedir licença.
Não é um doido isolado no Twitter. O Matt Shumer, CEO da OthersideAI, contou que o Sol apagou quase todos os arquivos do Mac dele. O Bruno Lemos relatou que o modelo derrubou o banco de produção inteiro, coisa que nenhum outro modelo tinha feito com ele. E tem o detalhe que pega mal de verdade: duas semanas antes de soltar o Sol, a própria OpenAI publicou um system card avisando que o modelo, em contexto de código, passa por cima de restrição e toma ação destrutiva fora do escopo da tarefa. Eles sabiam e lançaram assim mesmo. No dia 11, um engenheiro da casa reconheceu o problema em público.
Aqui não deixamos os modelo encostar em sistemas de produção (sistemas que estão acessíveis para nossos clientes), só trabalhamos com IA no ambiente de desenvolvimento e testes. O Claude Code roda com git no meio, permissão pra cada escrita e nada sobe sem review. Se você vai botar um agente pra mexer no seu sistema, o modelo é o menor dos seus problemas. O que te protege é o processo em volta: sandbox, backup, permissão e log.
Fontes: TechCrunch, The Register, Techzine
Notícias rápidas
E não foi só a China que abriu a fronteira. A Thinking Machines, da Mira Murati, ex-CTO da OpenAI, soltou dia 15 de julho o Inkling, o primeiro modelo da casa: 975 bilhões de parâmetros, 41 bilhões ativos por token, licença Apache 2.0 e pesos no Hugging Face. Dois modelos de fronteira abertos na mesma semana, um de cada lado da guerra fria. Fonte: TechCrunch.
O VC parou de apostar só em quem faz modelo. A Harvey, de agente jurídico, chegou a 11 bilhões de dólares de valuation numa rodada co-liderada por Sequoia e GIC. A leitura do mercado é a mesma da edição: o dinheiro grande está se espalhando pra quem constrói em cima do modelo, não pra quem treina o próximo. Fonte: CNBC.
Hassabis quer alguém revisando o modelo antes de ele sair. O CEO da Google DeepMind propôs criar um órgão bancado pela indústria e fiscalizado pelo governo americano pra testar modelo de fronteira antes de ir pro público. Fonte: MarketingProfs.
O Kimi derrubou a ação dos rivais chineses na hora. No dia 17, logo depois do lançamento, a Zhipu caiu 28,4% e a MiniMax 15,6%. Você abre um modelo de ponta de graça e quem cobra pelo próprio apanha na bolsa no mesmo dia. Fonte: Quartz.
Testando usar IA sem supervisão enquanto me mudo

Vou começar te pedindo atenção, pois o que vou dizer a partir de agora só é possível porque eu criei ambientes que impossibilitam (ou pelo menos reduzem, e muito) o risco de a IA fazer cagada.
Estou neste momento me mudando, como você pode ver pela imagem. Ainda está tudo uma bagunça.

A questão é que, por conta da mudança, não consegui produzir muita coisa essa semana. Então decidi fazer um teste: colocar as IAs pra fazer meu trabalho de forma autônoma, sem a minha supervisão.
Simplesmente deleguei as tarefas e fui fazer a mudança. Eis aqui algumas das coisas que ela fez sozinha (meu veredito vem no final):
Refatorar e subir para a Vercel a página da 5Era (estava lenta)
Subir 40 criativos no Meta Ads para a campanha da AI Society
Integrar o Sigma Studio com o Google Analytics GA4 (sistema que eu também disponibilizo na AI Society)
Criar os planos visuais para os alunos da AI Society
Bom, já posso começar dizendo que todas as tarefas foram concluídas, porém com ressalvas.
A refatoração da página ficou perfeita: a página saiu de 2,6s de carregamento para 0,4s.
A integração com o GA4 no Sigma Studio também foi concluída e não encontrei nenhum erro até agora.
Os planos visuais da AI Society ficaram praticamente perfeitos, como você pode ver pelo print abaixo, exceto por alguns pequenos bugs visuais.

Agora, sobre os criativos, ela realmente deu uma vacilada. Eu pedi para subir os 40 criativos do meu computador para a Meta, e ela subiu como posts e impulsionou os posts no gerenciador. Quem tem um pouco mais de conhecimento sabe que essa não é a maneira semanticamente correta de se fazer isso, apesar de em alguns casos funcionar.
Imediatamente solicitei a correção da skill pra que isso não aconteça mais e pedi uma nova tentativa da tarefa, que da segunda vez foi concluída com sucesso.
Posso dizer que meu microfuncionário se saiu com uma nota de 7,5 de 10 trabalhando sem supervisão. Mas, como eu falei, isso só é possível pois eu criei hooks de controle que não permitem que a IA faça cagadas muito grandes.
Abraços! Mateus Dias
