Na edição da semana passada da 5Era, eu trouxe a informação de que marcas estavam recebendo pedidos de assistentes de IA. Agora, a Shopify publicou uma comparação entre essas visitas e as que chegam pela busca orgânica. O relatório também mostra o valor dos pedidos e a participação de clientes novos.

Isso corrobora o que eu já venho falando aqui há pelo menos 30 edições dessa news. O comportamento de compra do cliente está mudando (rápido). Não é difícil imaginar que, daqui a três anos, a maneira de comprar será completamente diferente da de hoje.

Aqui no ChatFunnel, estamos nos preparando pra isso a todo vapor. Ainda nesta semana, eu estava falando com o engenheiro de software que lidera nosso time tech sobre como podemos ajudar ainda mais lojistas a captar todo esse volume de buscas provenientes de IA.

Um dos recursos que desenvolvemos é uma IA nativa que fica dentro da loja e atende humanos e bots na hora. Ela consulta pedidos, estoque e informações de rastreamento, além de ajudar na escolha de variantes e produtos e responde de forma humanizada.

Além disso, temos novidades do Google: um carrinho passa a reunir produtos escolhidos no Search e no Gemini. A Riachuelo descreve agentes no WhatsApp capazes de consultar sistemas e encaminhar demandas. A Amex publicou como registrar a autorização de quem deixa uma IA comprar em seu nome.

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Abs: Mateus Dias

Nesta edição

  • Shopify compara as compras vindas de IA com outros canais.

  • Google conecta Search e Gemini ao mesmo carrinho.

  • Riachuelo descreve o atendimento com agentes no WhatsApp.

  • Lightspeed prepara mudanças no catálogo e no estoque.

  • Amex registra os limites de uma compra por agente.

  • Notícias rápidas: lojistas, jovens consumidores, Brasil e Google Ads.

Shopify: visitas vindas de IA têm conversão 80% maior que a busca orgânica

A Shopify publicou em 13 de outubro o The Entrepreneur Effect, relatório que reúne dados sobre empreendedorismo e compras na plataforma. Entre abril e junho de 2026, as visitas vindas de ferramentas de IA tiveram taxa de conversão 80% maior que as visitas originadas na busca orgânica.

A comparação usa sessões e pedidos registrados nas lojas da Shopify. Na metodologia, uma sessão entra no grupo de IA quando a empresa atribui sua origem a um recurso ou canal com inteligência artificial. Os pedidos associados a essas sessões recebem a mesma classificação no levantamento.

O valor médio dos pedidos foi 14% maior nos canais de IA em relação aos demais canais. No mesmo trimestre, esses canais geraram quase duas vezes o número de pedidos de compradores novos observado nos outros canais, segundo os dados divulgados pela Shopify e descritos pelo eCommerceNews Australia.

A Shopify descreve a descoberta por conversa como parte desse cenário. O consumidor explica o que procura ao assistente, e a ferramenta recomenda produtos conforme a necessidade descrita. No anúncio do relatório, a empresa associa esse formato à descoberta de produtos especializados e ao encontro entre lojas e compradores.

75% das vendas vindas de IA vieram de lojas com produtos fora das cem categorias mais comuns da Shopify. O relatório também informa que quase 54% das novas lojas vendem produtos fora desse grupo. A classificação das categorias usa o sistema de aprendizado de máquina da empresa.

Para esse recorte de categorias, a base reúne dados anônimos e agregados de milhões de negócios em 175 países. A Shopify também informa que produtos fora das cem categorias mais comuns já respondem pela maioria das vendas totais na plataforma, incluindo as compras originadas nos outros canais.

O relatório inclui dados do Sidekick, assistente de IA da Shopify. Ele ajuda o lojista a concluir tarefas e navegar pelo painel, além de oferecer orientações personalizadas. Com seu apoio na entrada de novos lojistas, a parcela de lojas que chegou a cinco pedidos em 15 dias foi 8% maior.

O indicador do Sidekick compara a parcela de novas lojas que atingiu essa quantidade de pedidos no segundo trimestre de 2026. Em 2025, cerca de 1,2 milhão de lojas fizeram sua primeira venda na Shopify, o equivalente a uma a cada 26 segundos.

Em outro recorte, metade das novas lojas que chegaram a vender recebeu o primeiro pedido em aproximadamente três semanas. A contagem começa na criação da loja e termina na primeira venda paga. A Shopify também informa que, frente a 2022, 43% mais lojas venderam no primeiro dia após o cadastro.

Entre os lojistas ouvidos pela Shopify, 78% disseram ter construído a própria loja. Esse resultado vem da Merchant Pulse Survey, com 6.535 participantes de 106 mercados, em maio de 2026. Já o dado de que 41% das lojas começam com um único produto vem dos registros agregados da plataforma.

Google lança carrinho que reúne produtos da busca e do Gemini

O Google começou a liberar o Universal Cart nos Estados Unidos em 15 de outubro, dentro da busca e do aplicativo Gemini. O carrinho guarda produtos de lojas diferentes no mesmo lugar, acompanha mudanças de preço e permite continuar a compra depois. A empresa havia apresentado o recurso em maio, no Google I/O.

No exemplo publicado pelo Google, a pessoa salva uma bolsa da Steve Madden pelo AI Mode, o modo de IA da busca. Mais tarde, acrescenta um suéter da Quince e um brilho labial da Ulta Beauty no Gemini. Os produtos ficam no mesmo carrinho quando ela volta, mesmo que tenham sido escolhidos em momentos e ambientes diferentes.

Para acompanhar preços e estoque, o recurso consulta o Shopping Graph, com mais de 60 bilhões de ofertas de produtos que o Google atualiza continuamente. O carrinho acompanha os itens salvos em segundo plano e envia notificações se o preço cair. Também avisa quando um produto esgotado volta ao estoque.

Na escolha do pagamento, o Universal Cart usa o Google Wallet para identificar os benefícios dos cartões do usuário. Se a pessoa tiver mais de um cartão e não souber qual oferece a vantagem mais adequada, o recurso ajuda nessa escolha. O anúncio também descreve a exibição de códigos promocionais para os itens do carrinho.

O Google publicou uma tela de benefícios dos cartões e promoções para mostrar essa parte do carrinho.

Para fechar o pedido, há dois caminhos. Em lojas compatíveis, o consumidor pode pagar com Google Pay dentro do carrinho. Também pode transferir os itens para o carrinho da própria loja e concluir a compra no site dela. A PYMNTS descreve essas opções na cobertura do início da distribuição nos Estados Unidos.

O Google cita Nike, Sephora, Target, Ulta Beauty, Walmart e Wayfair, além de lojistas da Shopify, entre as lojas com essas formas de concluir a compra. A MediaPost informa que as empresas precisam se cadastrar para participar e que algumas oferecem tanto o pagamento no carrinho do Google quanto a transferência para seu próprio site.

A conclusão da compra usa o Universal Commerce Protocol, conhecido como UCP. Segundo a MediaPost, Google e Shopify desenvolveram o protocolo para conectar agentes de IA à estrutura de pagamentos do comércio online.

A loja continua sendo a vendedora responsável pela compra, qualquer que seja o caminho escolhido para concluir a compra. Segundo o Google, ela envia as confirmações diretamente ao cliente e presta o atendimento. Isso vale tanto para o pagamento com Google Pay dentro do carrinho quanto para a compra concluída no site da marca.

Riachuelo: 84% dos clientes do autoatendimento resolvem suas demandas

Na Riachuelo, 84% dos clientes que usam o autoatendimento pelo WhatsApp resolvem suas demandas sem ajuda de um funcionário, segundo a Genesys. Com os chatbots tradicionais que a varejista usava antes, esse índice ficava em 30%. A comparação acompanha a adoção do agente de IA da fornecedora.

O relato foi publicado pela Genesys em 30 de setembro e ganhou cobertura do E-Commerce Brasil em 12 de outubro. A solução adotada é o Genesys Cloud Agentic Virtual Agent. A companhia também informou aumento de 60% na satisfação dos clientes e redução de 26% nos custos de tecnologia da Riachuelo.

Um dos casos descritos é o atraso na entrega. O cliente procura a loja pelo WhatsApp e pode tratar o problema com o agente de IA. Quando precisa de ajuda adicional, a conversa pode seguir para um atendente humano.

O agente se conecta aos sistemas internos e aos fluxos de trabalho da Riachuelo. Quando um caso exige mais atenção, a tecnologia pode abrir automaticamente um chamado de suporte e encaminhar a interação para a próxima etapa de solução. O contexto acompanha essa passagem, segundo a descrição da Genesys.

A conexão com esses sistemas também aparece na explicação sobre os custos. A Genesys atribui a queda de 26% à simplificação do suporte ao comércio eletrônico e à redução de tarefas manuais.

A adoção no WhatsApp veio depois de uma etapa voltada aos funcionários. A Riachuelo já usava o Genesys Cloud Copilot para apoiar os atendentes. Agora, o Agentic Virtual Agent atende o consumidor e pode resolver interações mais complexas de forma autônoma, conforme o comunicado da fornecedora.

A varejista planeja ampliar a IA agêntica para outras jornadas de atendimento. A intenção descrita no comunicado é combinar a autonomia da tecnologia com a experiência dos funcionários, ampliar a capacidade de atendimento e fortalecer a relação com os clientes.

Essa conexão entre dados da loja e conversa também está disponível no ChatFunnel. A plataforma reúne catálogo, estoque e pedidos no atendimento pelo WhatsApp, com IA e equipe na mesma conversa. A equipe define quando uma pessoa assume, e o histórico acompanha a transferência.

Lightspeed: agente prepara mudanças no catálogo e no estoque para aprovação

A Lightspeed anunciou em 15 de outubro novos recursos de agentes de IA para o varejo. O Lightspeed AI consulta dados de catálogo, estoque, vendas e compras das lojas para recomendar tarefas e preparar mudanças. Segundo a empresa, o lojista pode pedir uma análise e seguir até a aprovação da ação na mesma conversa.

Os exemplos do anúncio incluem marcar produtos sem vendas como itens de liquidação, atualizar informações do catálogo e planejar transferências de estoque. O fluxo começa com uma pergunta do lojista. O agente analisa os dados disponíveis, apresenta uma recomendação e prepara a tarefa para revisão.

Na reposição, a Lightspeed descreve a identificação de produtos com estoque baixo e a preparação de pedidos de compra. Para empresas com mais de uma loja, o agente reúne informações das diferentes unidades. Esses dados também entram nas sugestões para enviar mercadorias aos locais com sinais mais fortes de demanda.

Antes de aplicar uma mudança, o Lightspeed AI mostra uma prévia da ação e espera a aprovação explícita do lojista. As ações ficam registradas em um histórico de auditoria, segundo a empresa.

Dax Dasilva, fundador e presidente executivo da Lightspeed, descreve o fluxo como uma conversa em que o lojista pergunta sobre o negócio, vê os dados, escolhe o próximo passo e autoriza o agente a agir. Bhawna Singh, diretora de tecnologia, associa os recursos ao uso dos dados de comércio dentro dos sistemas que os lojistas já utilizam.

A página do produto detalha como funciona a consulta por conversa. A pessoa digita uma pergunta sobre vendas ou estoque, e o Lightspeed AI sugere um relatório. Depois que o lojista executa esse relatório, a IA analisa os resultados, apresenta um resumo e aceita perguntas adicionais sobre os dados.

Entre as consultas descritas estão os produtos mais vendidos por receita, quantidade ou lucro e o desempenho das vendas em cada unidade. A página também cita sugestões de reposição, contagem de estoque entre lojas e identificação de produtos com poucas vendas a partir da taxa de escoamento do estoque.

As ferramentas de catálogo apresentadas na mesma página incluem criação de descrições e melhoria de imagens. O material também descreve a criação de elementos personalizados para um site. Entre os relatórios personalizados, a página cita visões gerais de estoque e desempenho por unidade.

Os novos recursos de agentes estão em beta, com adesão voluntária de clientes selecionados, segundo a Lightspeed. A empresa anuncia uma distribuição mais ampla "em breve". Para o Lightspeed AI em geral, a página do produto informa acesso nos planos Lightspeed Retail V9, com funções que variam conforme o plano contratado.

Intent Intelligence: Amex registra o que o cliente autorizou antes da compra por IA

Uma pessoa pede a um agente um tênis branco da Nike, tamanho 9. O agente envia uma solicitação para comprar um Adidas. Em entrevista à TechCrunch, Hannah Bozian, executiva da American Express, usou esse exemplo para mostrar uma compra que a empresa poderia barrar por divergir do pedido.

Esse é o tipo de verificação descrito no Intent Intelligence, modelo publicado pela Amex em 13 de outubro. A proposta registra e autentica a intenção de compra antes do pagamento. O emissor do cartão recebe o que o cliente autorizou antes de o agente concluir a transação.

Primeiro, a Create Intent API, interface que recebe pedidos de outros sistemas, coleta as instruções do cliente, como loja escolhida e valor máximo. O agente pode fazer perguntas para esclarecer o pedido. O usuário escolhe um cartão, confirma as instruções e autentica sua identidade.

A documentação prevê aprovação por chave de acesso (passkey) e permite que o emissor delegue essa etapa a um agente ou carteira digital.

Depois, o sistema emite um Intent ID, identificador daquele registro, e um Proof of Intent Token, código digital que carrega os principais limites autorizados. O token pode ser usado para obter uma credencial digital de pagamento com esses limites. O agente usa essa credencial na etapa de pagamento, no lugar do número do cartão do cliente.

Segundo a Amex, a autorização acompanha as etapas seguintes da compra. O identificador e o token podem ajudar a conferir se o pedido corresponde ao que o cliente aprovou. Também fornecem dados para prevenção de fraude e análise de contestações. A Amex publicou telas com exemplos dessas autorizações.

O texto técnico traz outro exemplo: comprar um par de tênis feminino, tamanho 8 dos Estados Unidos, por até US$ 200, caso volte ao estoque antes de 15 de abril. O retorno ao estoque dentro do prazo e o limite de preço fazem parte da autorização. A Amex também descreve a aprovação de um carrinho com itens específicos.

A documentação inclui compras condicionadas umas às outras. No exemplo publicado, o agente só deve comprar o seguro de viagem se tiver comprado a passagem. Para uma compra com mais de uma loja, o registro informa o número máximo de transações e limita quantas credenciais de pagamento podem ser emitidas.

O cliente pode atualizar ou cancelar a intenção autorizada. O token também tem prazo de validade confirmado pelo usuário e pode permitir um ou vários usos. A Amex informa que o formato de coleta e guarda dessas instruções varia conforme a conexão entre agente, carteira digital e emissor.

O Intent Intelligence integra o ACE Developer Kit, conjunto de serviços da Amex para compras por agentes. A empresa diz que está desenvolvendo integrações para o kit. À TechCrunch, afirmou que ainda não havia observado aumento nas contestações ligado a esse tipo de compra.

Notícias rápidas

Lojistas projetam vendas concluídas por agentes

A PYMNTS Intelligence ouviu 60 responsáveis por e-commerce nos Estados Unidos, em agosto. As empresas vendem ao consumidor e têm receita anual entre 50 milhões e 1 bilhão de dólares. No relatório de outubro, 90% disseram ter observado algum sinal de compras com IA nos 12 meses anteriores.

Entre esses sinais estão visitas atribuídas a assistentes e clientes que chegam à loja citando informações encontradas com IA. Dos comerciantes com site ou aplicativo próprio, 86% planejam combinar vendas diretas com acesso por agentes nos próximos dois anos.

Os entrevistados também estimam que agentes concluam, em média, 13% de suas vendas digitais nesse prazo. Já 85% disseram ter melhorado títulos, descrições, atributos ou imagens dos produtos para esse canal. Leia o estudo da PYMNTS.

Mastercard pesquisa o uso de IA entre jovens e pais

79% dos jovens de 13 a 18 anos pesquisaram produtos com IA no último ano, segundo um estudo divulgado pela Mastercard em outubro. Entre os pais, a proporção foi de 70%. O uso pelo menos mensal apareceu nas respostas de 62% dos jovens e 49% dos pais.

A Opinium ouviu 13 mil pares de jovens e seus pais, totalizando 26 mil pessoas em 13 mercados, em junho e julho de 2026. A amostra inclui países europeus e Israel. Entre os jovens, 61% se disseram ao menos parcialmente dispostos a usar um assistente que cuide das compras em seu nome.

O relatório descreve agentes que comparam voos ou montam uma cesta de supermercado. A permissão definida pelo usuário determina se o assistente também pode concluir o pagamento. Leia o anúncio da Mastercard.

Brasil aparece em segundo lugar em pesquisa sobre compras com IA

Na pesquisa da Global Payments, 72% dos brasileiros disseram já ter usado ou aceitar usar agentes de IA para comprar, naquele momento ou nos 12 meses seguintes. Em 2025, o indicador era de 39%. O Brasil ficou atrás da China, com 86%, entre os sete mercados pesquisados.

A The Lantern ouviu 8.027 consumidores em maio de 2026, no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Singapura e Austrália. A Folha C-Level publicou os resultados em 13 de outubro. No Brasil, a recusa total caiu de 27% para 6%; outros 22% responderam que talvez adotem o formato.

Para confiar no agente, 41% dos brasileiros citaram a confirmação prévia da compra. A mesma proporção mencionou alertas imediatos de transação. Folha C-Level e tabela da Worldpay.

Uma tela do Google Ads mostra a pergunta sobre o objetivo da campanha acompanhada de uma caixa de texto. O anunciante descreve o que pretende alcançar, e a IA sugere metas e peças para os anúncios a partir desse pedido. A interface mantém um link para criar a campanha manualmente.

Dima, do perfil PPC Skills, publicou a tela no X em 9 de outubro. O Search Engine Land cobriu a mudança no dia 12 e trouxe a confirmação de Ginny Marvin, porta-voz do Google Ads: a interface faz parte de um experimento. O PPC News Feed também descreveu a posição de destaque da caixa de texto.

Uma semana abençoada a você! Abraços!

Mateus Dias
Founder ChatFunnel