
Já falamos em edições passadas sobre a mudança no comportamento de compra dos clientes na era da IA. Mas, além disso, a IA tem se tornado um canal de descoberta.
O interessante é que as pessoas que vêm por meio de indicações de IA têm 80% mais propensão a comprar e um tíquete médio 14% maior.
Seguindo nessa linha, a Adobe (dona do Photoshop) acompanhou quem clica num link indicado por uma IA e chega ao site de uma loja.
No relatório de 29 de outubro, essas visitas aparecem à frente das demais origens em conversão e receita por visita.
A McKinsey também mediu as etapas em um estudo que inclui consumidores do Brasil:
Buscar um produto.
Comparar opções.
Concluir a compra dentro de uma ferramenta de IA.
O Google também publicou regras para receber perguntas e respostas sobre produtos no Merchant Center e explicou como a IA resume avaliações nos anúncios.
No calendário de novembro, o Mercado Pago ouviu quem pretende comprar nas datas promocionais. E o eBay levou vendedores de cartas colecionáveis para transmissões em que o público conversa e dá lances pelo aplicativo.
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Mateus Dias
Nesta edição
Adobe compara as visitas vindas de IA com outros canais.
McKinsey acompanha a escolha do produto e a compra pela IA.
Google recebe perguntas de produto e resume avaliações nos anúncios.
Mercado Pago apresenta os planos de compra para novembro.
eBay leva vendedores de cartas para transmissões ao vivo.
Notícias rápidas: Terra, Alexa, SalesCloser e DoorDash.
IA Lidera os Canais de Aquisição

A Adobe publicou em 29 de outubro uma comparação entre as visitas encaminhadas por IA e as que chegam por outros canais ao varejo dos Estados Unidos. Em setembro de 2026, o primeiro grupo gerou 83% mais receita por visita e teve taxa de conversão 90% maior.
O caminho descrito pela empresa começa antes da entrada na loja. O consumidor usa uma ferramenta de IA para pesquisar produtos e comparar opções. Quando clica na indicação e abre o site do varejista, segundo a Adobe, parte desse trabalho de pesquisa já aconteceu.
A contagem acompanha os cliques em links que levam da IA ao site da loja. A comparação usa visitas de outras origens, como e-mail e busca paga. A conversão mede a parcela dessas visitas que termina em compra.
A base de transações apresentada para a análise cobre mais de um trilhão de visitas a sites de varejo dos EUA, cem milhões de itens identificados no catálogo e dezoito categorias de produtos. A Adobe também usou uma pesquisa complementar com mais de cinco mil pessoas, ouvidas no país em setembro de 2026.
O volume de visitas vindas de IA cresceu 71% em relação a setembro de 2025. A Adobe acompanha esse tipo de encaminhamento desde outubro de 2024.
O Search Engine Land informa crescimento acumulado de 1.772% entre o início da medição e setembro deste ano. A Adobe relata que os acessos desse canal aumentaram em todos os meses desde que começou a acompanhar essas visitas.
Dentro das lojas, o grupo vindo de IA passou 73% mais tempo nos sites e abriu 25% mais páginas por visita. A taxa de adição de produtos ao carrinho foi 53% maior. Todos esses indicadores comparam visitantes vindos de IA com os das demais origens no período analisado.
A cobertura também recupera uma comparação anterior da Adobe: em agosto de 2025, a conversão das visitas vindas de IA era 9% menor que a dos outros canais. O relatório descreve a diferença de receita por visita em setembro como a maior registrada neste ano.
Outro recorte observa quanto do conteúdo das lojas pode ser compreendido e citado pelos sistemas de IA. Nessa medida, chamada Citation Readability Score, as páginas iniciais do varejo americano tiveram média de 63% em setembro.
A categoria de eletrônicos chegou a 79% na medida geral. Suas páginas de categoria marcaram 79%, e as de atendimento, 78%. A Adobe cita guias de configuração, instruções para resolver problemas e especificações detalhadas nesses conteúdos.
No recorte de supermercados, o resultado foi de 55%. As páginas iniciais de lojas de mercadorias gerais registraram 40%. Entre os exemplos de conteúdo que os sistemas conseguem encontrar e citar, a Adobe lista detalhes de produtos, guias de compra, respostas a dúvidas frequentes e políticas de devolução.
Fontes: Adobe, Search Engine Land, Retail TouchPoints.
McKinsey Mapeia Compras por IA

A McKinsey ouviu cerca de 21 mil consumidores em onze mercados, incluindo o Brasil, sobre o uso de IA nas compras. A coleta é de junho de 2026. No quadro que reúne 9.988 adultos, 53% relataram ter usado IA em ao menos uma tarefa de compra nos três meses anteriores.
O levantamento inclui tanto ferramentas como ChatGPT e Gemini quanto assistentes das próprias lojas. As perguntas acompanham a procura por produtos e o momento de concluir o pedido. Na definição da consultoria, um agente pode buscar alternativas, comparar preços e montar um carrinho em nome do consumidor, além de finalizar a compra.
Entre 9.645 compradores que usaram IA, 81% concordaram que ela ajuda a reduzir e filtrar as opções. Outros 80% citaram menos rolagem e cliques.
Para 79% desse grupo, a IA também trouxe uma economia significativa de tempo ao pesquisar e decidir o que comprar. Esses percentuais reúnem as duas respostas de maior concordância numa escala de cinco pontos.
A pesquisa também perguntou quem mais influenciou a decisão na compra mais recente. Segundo a cobertura do RTIH, 29% apontaram conversa ou busca com IA, ante 9% que citaram a busca tradicional. Os canais das próprias lojas, incluindo seus assistentes de IA, somaram 21%. Esse quadro tem base de 5.095 compradores que usaram IA.
Na cobertura de 30 de outubro, a ANI informa que 76% dos consumidores da Índia usaram IA em compras. Na China, foram 80%. O estudo da McKinsey registra 48% nos Estados Unidos. Os onze mercados da pesquisa também incluem Austrália, México e Arábia Saudita, além de países europeus e Japão.
Quando a pergunta passa para concluir uma compra dentro da IA, o recorte muda para quem usa essas ferramentas. Nos Estados Unidos, a parcela chegou a 17%, ante 10% no levantamento anterior. O RTIH situa essa comparação a partir de dezembro de 2025. No conjunto dos onze mercados, 14% dos usuários de IA disseram ter comprado dessa forma.
O formulário também perguntou pela ajuda dos assistentes das lojas na etapa final. 15% dos usuários de IA disseram ter recebido apoio para concluir o pedido ou pagar. Em outra pergunta, 14% relataram que uma ferramenta de conversa ou busca concluiu a compra em seu nome. Os gráficos dessa etapa usam uma base de 11.088 usuários de IA.
A disposição para delegar o pedido foi examinada separadamente. Nas seis principais categorias acompanhadas, entre 21% e 30% dos usuários de IA disseram que deixariam a ferramenta concluir uma compra. O estudo registra a disposição declarada e o uso que os entrevistados disseram já ter feito, com uma pergunta para cada situação.
Google e IA no Merchant Center

Uma dúvida sobre a transparência de uma legging pode entrar nos dados do produto enviados ao Google. A empresa descreve o campo question_and_answer, que reúne perguntas e respostas específicas de cada item no Merchant Center, a ferramenta usada pelas lojas para enviar suas informações de catálogo.
O Search Engine Land noticiou a documentação em 27 de outubro. O Google informa que o atributo foi pensado principalmente para experiências de conversa, como o AI Mode, modo de IA da busca. O campo é opcional por produto e, segundo o Google, pode ser usado em todos os países.
Cada item aceita até trinta pares. Uma pergunta comporta mil caracteres, e sua resposta tem o mesmo limite. O conjunto inteiro deve caber em dez mil caracteres. O Google exige os dois campos preenchidos e aceita perguntas e respostas de usuários, lojistas e fabricantes.
No exemplo da documentação, uma chaleira tem 1,7 litro e mantém a temperatura escolhida por até quinze minutos. O arquivo reúne essas respostas junto das dúvidas sobre capacidade, aquecimento e dimensões. O Google mostra como enviar tudo numa célula da planilha ou distribuir os pares em colunas separadas.
A reportagem usa leggings para mostrar outras dúvidas: se o tecido fica transparente ao esticar, se a peça serve para corrida ou treino com pesos. Também cita informações sobre tamanho e compatibilidade de produtos.
O envio pode acontecer pelo arquivo principal de produtos, por um arquivo complementar ou pela Merchant API, interface de envio automático dos dados. Nas regras, o Google pede conteúdo sobre o produto. Preços e datas ficam nos atributos próprios das ofertas. A documentação também orienta a evitar repetição de informações já enviadas no título ou na descrição.
Quando a mesma informação já consta nos documentos enviados pelo campo document_link, o Google informa que extrai as perguntas e respostas desses arquivos.
Nos anúncios da busca, a função documentada se chama Review summaries, ou resumos de avaliações. A cobertura saiu em 26 de outubro. A IA do Google reúne comentários publicados na internet e produz um texto curto com experiências positivas dos clientes sobre a empresa.
Esse resumo aparece dentro do anúncio. Segundo o Google, a seleção traz apenas conteúdo positivo das avaliações. O anunciante não pode editar ou personalizar diretamente o texto gerado. A empresa informa que exibe o recurso quando seu sistema prevê benefício para o desempenho do anúncio.
A disponibilidade descrita cobre Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Índia, em inglês. As condições incluem campanhas de busca, todas as posições de anúncios no Google.com e os dispositivos compatíveis. O Google informa que o formato abrange os segmentos de anunciantes com exceção de categorias sensíveis, como produtos farmacêuticos.
Fontes: Google Merchant Center, Google Ads, Perguntas e respostas no Shopping, Resumos de avaliações nos anúncios.
Mercado Pago e 11.11 na Black Friday

O Mercado Pago ouviu 3.345 usuários do Mercado Livre e do Mercado Pago no Brasil para o Panorama de Consumo 2026, divulgado em 28 de outubro. Entre os entrevistados, 71% pretendem comprar no 11.11 e na Black Friday.
Na edição de 2025 da pesquisa, eram 23%. O avanço informado foi de 48 pontos percentuais. Quando a pergunta considera comprar em pelo menos uma das datas promocionais de novembro, a intenção alcança 81% dos participantes.
O dinheiro para essas compras também entrou no questionário. Segundo o levantamento, 86% dizem que terão recursos próprios separados ou disponíveis para o período, e 44% já reservaram dinheiro. Sobre o tamanho do gasto, 49% pretendem manter ou aumentar o valor em relação ao ano passado.
Parte das compras será destinada ao Natal: 73% querem antecipar os presentes durante a Black Friday. A primeira parcela do 13º salário aparece nos planos de 56% dos entrevistados. Entre os participantes de 18 a 29 anos, metade afirma ter guardado dinheiro para as promoções.
Na escolha da oferta, frete grátis recebeu 44% das respostas, enquanto desconto no preço ficou com 40%. Para 94% dos participantes, os cupons são relevantes, muito importantes ou decisivos. Entre quem usa esse benefício, 66,2% encontram os cupons nas notificações do aplicativo do Mercado Livre.
O cartão de crédito foi citado por 46% como principal meio de pagamento. O Pix, incluindo a modalidade parcelada, chegou a 42%, com avanço de 13 pontos percentuais sobre 2025. Metade dos participantes pretende parcelar; nesse grupo, 64% preferem até seis vezes e 33% procuram prazos maiores.
Desde 19 de outubro, o cartão Mercado Pago oferece até 21 parcelas sem juros em compras elegíveis. A partir de 11 de novembro, serão até 24 parcelas. Em entrevista à EXAME, Felipe Castaño, diretor da empresa, explicou que o uso depende do limite disponível no cartão de cada cliente.
A pesquisa também perguntou sobre a ajuda da IA. 54% pretendem usar algum recurso de IA para escolher produtos, ante 48% em 2025. Buscar e comparar preços ou modelos foi a aplicação citada por 30,5%. Outros 10% querem alertas de queda de preço, estoque ou cupons.
Delegar a compra a um agente de IA, com ou sem confirmação, foi uma possibilidade aceita por 6,5% dos entrevistados. O questionário também abordou criadores, afiliados e transmissões de compras: 66% de quem pretende comprar na temporada disseram confiar nessas indicações.
Para novembro, o Mercado Livre anunciou mais de R$ 100 milhões em cupons e 37 milhões de anúncios de produtos em promoção. A companhia também prevê o triplo de ofertas com descontos superiores a 70%, na comparação com 2025.
O Selo Black Friday identifica ofertas com o menor preço dos últimos 60 dias. A campanha com Anitta, embaixadora das duas marcas, apresenta benefícios diários no aplicativo.
Fontes: Mercado&Consumo, Meio&Mensagem, EXAME.
eBay Lança sistema de Leilão

O eBay Live incluiu o London Card Show em sua programação para colecionadores do Reino Unido neste fim de semana, de 30 de outubro a 1º de novembro. A agenda reúne vendedores de cartas de Pokémon e Yu-Gi-Oh!, além de colecionáveis de futebol.
Segundo a programação publicada pelo ChannelX, o público acompanha as transmissões, conversa com os vendedores e dá lances pelo aplicativo do eBay. As sessões incluem a abertura de pacotes e a apresentação das cartas que estão à venda.
Um dos exemplos é a BlackMill Collectables, que anunciou a abertura de uma caixa da coleção Sword & Shield: Lost Origin. Na descrição da sessão de domingo, o vendedor atribui à caixa o valor de 600 libras e anuncia os pacotes com lances iniciais de 1 libra.
A página dessa sessão informa a data de 1º de novembro, às 9h29 UTC, e apresenta uma opção para assistir à gravação. Ela também reúne o perfil da loja, suas avaliações e o acesso a outros eventos do mesmo vendedor.
A RareCandy Collectibles aparece na agenda com a abertura de Sun & Moon: Unbroken Bonds. O anúncio no eBay também indica lances a partir de 1 libra, com horário marcado para 13h30 UTC deste domingo. A página permite acessar o perfil da loja e suas próximas transmissões.
No sábado, 31/10, a programação incluiu a Topdeck-Treasures com pacotes da coleção Evolving Skies. A doublesleevedltd foi anunciada para uma sessão com pacotes lacrados e cartas individuais de Pokémon. Os links de cada transmissão aparecem junto dos nomes dos vendedores na cobertura do ChannelX.
Para os colecionadores de futebol, a agenda de domingo traz a MGC Live, com abertura de caixa e apresentação de caixas-surpresa. A programação de sexta também listou uma transmissão da Midas Breaks dedicada às cartas de futebol, com participação de um convidado.
O site do London Card Show confirma o calendário e publica listas de vendedores por dia, além da planta do evento. Entre as áreas anunciadas estão espaços para troca de cartas, colecionáveis esportivos e jogos de cartas.
O eBay Live On Tour também aparece entre as atrações presenciais da feira.
Fontes: ChannelX, London Card Show, BlackMill no eBay, RareCandy no eBay.
Notícias rápidas
Terra chega ao Codex e usa aplicativos. A OpenAI lançou o GPT-6.1 Terra em 26 de outubro no ChatGPT Work, no Codex e na API. O anúncio cita preenchimento de formulários, leitura de desenhos técnicos e edição de vídeo. Na API, o preço padrão é de 1 dólar por milhão de tokens de entrada e 5 dólares de saída. OpenAI.
Alexa recebe mais de cem ações de compras. A Amazon anunciou listas, assinaturas e reembolsos por conversa para clientes dos Estados Unidos. Mais de quatrocentos milhões usaram a assistente em doze meses. Segundo a companhia, o número de clientes que usam as funções de agentes cresceu mais de oito vezes desde o início do ano. Amazon.
SalesCloser passa a atender pelo WhatsApp. Os agentes usam os serviços, preços e horários cadastrados pelo negócio para responder aos contatos. Quando o cliente pede uma pessoa, a IA pausa e avisa a equipe. A conversa pode continuar no painel, com as respostas enviadas pelo WhatsApp. Depois, um atendente pode devolver o contato ao agente com um clique, segundo a empresa. SalesCloser.
DoorDash anuncia acordo para comprar a Instacart. A transação foi anunciada em 29 de outubro por aproximadamente 17 bilhões de dólares, a 65 dólares por ação. Pelo menos 75% do pagamento será em dinheiro. As empresas preveem manter a marca e o aplicativo da Instacart e reunir benefícios de suas assinaturas. O fechamento está previsto para o fim de 2027 ou primeiro semestre de 2028. Instacart.
Abraços! Mateus Dias
